Sociedade
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#COMENTÁRIO
De uns tempos para cá, temos ouvido falar
sobre esta nova droga no meio da garotada das festinhas musicais chamadas
raves. Absurdamente são apresentadas em papéis embebidos chamados de “blotters”,
com estampinhas diversas impressas.
Não posso falar muito, pois sou um
ex-fumante de cigarros, mas as “fichas ainda não tinham caídas” e me orgulhava
de meus filhos detestarem o cheiro da fumaça de cigarros e deixarem isso bem
claro, até que um dia meu filho mais novo apresentou-se a mim, fumando... Eu já
tinha parado há tempos atrás. O nó na garganta, o sentimento de impossibilidade
de lhe falar para parar com isso, de lhe dizer que aquilo era ruim... Antes mesmo
de eu pensar em lhe falar algo, ele já me olhava querendo me dizer: - “Você
também já fez isso...” E isso era só um maço de cigarros...
Agora lendo essa reportagem abaixo, que
dá início à matéria sobre a droga, cita-se levemente sobre a morte do estudante
na USP há dias atrás. Recordo-me de ter ouvido em jornais televisivos o desespero
dos pais, quando aventaram essa possibilidade do uso drogas, em dizer que seu
filho não era um drogado, que era um garoto estudioso e que se projetava para
um futuro brilhante...
Ah, filhos... Ah, drogas...
#Disse
Carlos Leonardo
Fonte: Folha
de São Paulo
#CONVITE
Tem filhos jovens? Cuide-o.
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RAFAEL GARCIA - DE SÃO
PAULO - 19/10/2014
Apesar de estar no mercado há apenas quatro anos, a
droga 25B – detectada no corpo do estudante Victor Hugo Santos, achado afogado
na USP – já tem um histórico razoável de complicações experimentadas por
usuários.
A DEA (agência antidrogas dos EUA), registrou a
morte de 19 pessoas de 15 a 29 anos sob efeito de substâncias dessa classe em
2012 e 2013, e os primeiros relatos de casos médicos começaram a ser publicados
no ano passado.
Apesar de serem anunciados como LSD, o 25B (cujo
nome completo é 25B-NBOMe) e suas variantes 25I e 25C são alucinógenos muito
mais potentes. Doses na escala de 100 microgramas já têm efeito. Manipular
quantidades tão pequenas de droga requer expertise que nem todos os traficantes
têm, o que aumenta o risco de overdose.
"Enquanto mortes em razão dos efeitos
psicológicos de drogas NBOMe já foram relatadas, nunca foram documentadas
mortes humanas por overdose de LSD", afirma o cientista britânico Will
Lawn, University College de Londres num estudo publicado há seis meses.
O trabalho, um questionário a mais de 22 mil
pessoas na internet, constatou que 2,6% já haviam experimentado um NBOMe, hoje
associado à cultura de festas rave.
No mês passado, o farmacólogo Ioannis Papoutsis, da
Universidade de Atenas, publicou uma revisão da escassa literatura médica sobre
o 25B. Ele descreve a droga como "pouco segura" e com "alto
potencial de abuso".
O primeiro relato médico de intoxicação, publicado
por um hospital da Virgínia (EUA) em julho de 2013, descreve um jovem de 19
anos hospitalizado com convulsões e febre de 40°C, que apresentou amnésia
temporária no dia seguinte. O paciente se recuperou após seis dias.
O único estudo publicado descrevendo morte é
assinado por médicos forenses de Lausanne (Suíça), onde um homem achado morto
portava um frasco de spray contendo 25B em solução líquida.
Não há ainda estudos controlados sobre reações
comportamentais dos usuários. Para investigar a ação psicotrópica, cientistas
recorrem a relatos anônimos na internet.
Uma das fontes de informação é a ONG californiana
Erowid, que coleta testemunhos de usuários de maneira minimamente confiável.
"Quando fechei os olhos, tive alucinações
incríveis", conta um usuário de 25B. "Vozes tinham um eco estranho, e
a grama à minha volta pareceu se arranjar em padrão simétrico."
Muitos consumidores relatam experiência agradável
com música: "Eu ouvia cada nota tocada e, mesmo após oito horas de viagem,
ainda entrava na batida e apreciava música de verdade".
Grande parte dos relatos do Erowid sobre o 25B,
porém, traz experiências negativas. "As coisas começaram a ficar 'reais'
demais", relata uma usuária que teve enjoo. "Comecei a chorar e ficar
triste, depois feliz, depois triste de novo."
No site Reddit, uma usuária narra a morte do
próprio irmão após dose de dois "blotters" (papel embebido). O
testemunho acompanha cópias dos exames pós-morte da vítima.
Na pesquisa inglesa, a potência do 25B, encontrado
por menos de US$ 2 a dose, surpreendeu muitos voluntários. "Comecei a
sentir minha cabeça vazia, como se meu cérebro tivesse sumido", relatou um
deles.
DESCOBERTA
O 25B foi sintetizado pela primeira vez em 2003
pelo químico Ralf Heim, da Universidade Livre de Berlim. Sua intenção era criar
uma substância para experimentos sobre o papel da serotonina no sistema
nervoso.
Depois, a substância, que possui um átomo do metal
bromo, também foi usada por cientistas suecos como marcador para exames de
mapeamento cerebral com máquinas de PET-scan (tomografia por emissão de
pósitrons).
Testes em humanos começaram em 2012, mas em doses
pequenas demais para ter efeito psicotrópico.
A estrutura química do 25B é muito similar à do
2C-B, droga criada em 1974 por Alexander Shulgin, o inventor do ecstasy. Os
dois alucinógenos têm efeitos similares, mas em dose igual o 25B é até 16 vezes
mais potente.
O mecanismo de ação da droga não é bem conhecido,
mas sabe-se que ela afeta áreas do cérebro nas quais a serotonina modula
funções de memória e aprendizado.
Diferentemente de um alucinógeno mais
"limpo", como o LSD, os efeitos do 25B tem sintomas similares aos da
adrenalina, induzindo sensação de euforia.
Segundo o estudo de Will Lawn, publicado no
"Journal of Psychopharmacology", 42% dos usuários compravam a droga
na internet.
Consumidores afirmam entrar em contato com os
traficantes na chamada "deep web", parte da rede não acessível por
mecanismos de busca na qual é possível fazer negociações anônimas. (RG)
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