segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Testes com transposição do São Francisco preocupam comunidades

Sociedade

 



#COMENTÁRIO

Projetos faraônicos podem ser considerados diplomas de governantes desde a mais antiga história, não é verdade? Pois é, por estas bandas, as coisas não são diferentes.
Quase que esquecida, desde dois mil e doze, essa obra de transposição de águas do Rio São Francisco para o árido sertão, por motivos puramente políticos, acelerado pela crise de falta de água que assola várias regiões do Brasil, eis que retornam os trabalhos para o término do aqueduto.
Orçado em torno de quatro bilhões e tantos quando de sua projeção, hoje já está em mais de oito bilhões e caminhando... Como o término desse trecho que está em execução está previsto para o final de dois mil e quinze, podemos esperar tranquilamente o acréscimo do custo final da obra com a multiplicação de algumas vezes mais o valor atual. Veja bem, esse é o custo de apenas a ligação das fontes ao leito do rio, não está contabilizada a ligação de disponibilização da água aos usuários... Pode?

#Disse

Carlos Leonardo



#CONVITE

Que você acha dessa nova pirâmide construída pelos nossos faraós?

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JOÃO PEDRO PITOMBO - DE ENVIADO ESPECIAL A PERNAMBUCO - 09/11/2014 

Impulsionada por um sistema de quatro bombas – cada uma com peso equivalente a cem carros –, as águas do rio São Francisco molharam pela primeira vez os canais de concreto da transposição.
Mas a mesma água que começa a percorrer os canais do eixo leste chega fraca nos canos da irrigação das terras do produtor de alface Arilo Farias, 28, e está longe de atingir a casa de Carmélio de Souza, 46, que planta milho e feijão em seu quintal. Os primeiros testes da transposição, iniciados há um mês, colocaram comunidades em rota de colisão. Enfrentando forte estiagem há quatro anos, moradores veem com ressalvas o desvio das águas, que, durante os testes, não servirá às comunidades. A captação é feita num dos principais reservatórios do rio São Francisco, o lago de Itaparica, que está com apenas 15% do seu volume útil. Em Petrolândia, sertão pernambucano, o medo é sentimento recorrente. No perímetro irrigado Icó-Mandantes, pequenos agricultores reduziram a plantação e estão perdendo a produção de coco, melancia, cebola e hortaliças. "Estão descobrindo um santo para cobrir outro", diz José Arivaldo Gomes, 30, que, com o início de um racionamento para irrigação, reduziu a área da cebola de quatro para um hectare.

PROTESTOS
Moradores de Petrolândia protestaram contra os testes. A Força Nacional atuou para arrefecer os ânimos e garantir o bombeamento das águas. Cerca de 120 km ao norte, o leito do riacho do Navio, imortalizado na música de Luiz Gonzaga, é só areia. No assentamento de agricultores na zona rural da cidade vizinha de Floresta, Carmélio vê o vaivém de caminhões e tratores que escavam mais um trecho de canais. Com a seca, cobra celeridade nas obras, abandonadas em 2012 e retomadas este ano. "Estamos ansiosos. Soube que estão enchendo os canais e não vejo a hora de a água chegar aqui também", diz. Diretor do sindicato rural de Floresta, Ricardo Souza diz que alguns "reclamam de bucho cheio": "Se quiserem protestar de novo, vamos contra-atacar. Precisamos dessa água".
As famílias que dependem da agricultura de sequeiro – sem irrigação – em Floresta sobrevivem de benefícios como o Bolsa Família. Pequenos trabalhos na zona urbana complementam a renda.

BOMBEAMENTO
Desde outubro, quando as bombas foram acionadas, o nível do reservatório de Itaparica baixou. O governo nega que seja resultado dos testes. Com o início dos testes, 5 mil litros de água por segundo passaram a ser bombeados para os canais. Aumentará para 28 mil com a obra pronta, volume um pouco menor do tratado pelo sistema Cantareira, de São Paulo. A obra da transposição atualmente tem 12 mil trabalhadores em atividade e está 66% concluída. A previsão de entrega dos eixos norte e leste é dezembro de 2015. A expectativa é que atenda 325 comunidades rurais no entorno dos canais. Ainda não há previsão de quando as ligações de água para as casas dos sertanejos serão feitas.
A obra, inicialmente orçada em R$ 4,5 bilhões e com entrega prevista para 2012, teve seu custo atualizado para R$ 8,2 bilhões.